Foi uma prática instituida pelos situacionistas de Debord por volta de 1954, onde a pessoa enquanto pedestre se apropriava do espaço urbano através da ação do andar sem rumo que conscientemente se transforma em crítica direta ou mesmo indireta ao urbanismo.
Ao se praticar a deriva, a pessoa mapea os vários comportamentos afetivos resulantes desta ação. Com isso o praticante da deriva manisfesta a ação do meio geográfico sobre a afetividade, daí a relação direta entre a deriva e a psicogeografia.
A deriva nos possibilita ver e sentir a cidade de forma afetuosa, como por exemplo, o sentimento que se tem quando se está penetrando por um bairro belo e arborizado que te passa a sensação de paz, harmonia, vida e de repente sem esperar (uma vez que nessa prática não há trajetos feitos) adentra por um bairro pobre mesmo industrial e imediatamente aquela variedade de cores e vida que ainda estava presente em seu inconsciente se transforma em uma única cor, cinza e sombria, e agora o sentimento de tristeza e pena toma conta de sua mente. Ou ainda quando se está andando pelas ruas de determinada cidade e sem que se espere se depara com uma grande ladeira onde não se é possível ver o que te espera em seu fim, e então o sentimento de medo e principalmente surpresa tomam conta de sua mente provocando novamente algum tipo de sentimento afetivo diante do inesperado desconhecido.
E é exatamente esse tipo de situação que a deriva propõe, porque assim o cidadão não apenas habita a cidade, ele vive e participa da idade deixando de ser expectador alienado para então se tornar um transformador um vivenciador de seu próprio espaço.